30/01

PARIS, COUTURE PRIMAVERA 17: LOOK 1

Paris, Couture Primavera 17

Look: Chanel

Ph: Pier Models Jam

05/01

O DIA EM QUE CONHECI O MÉDIUM JOÃO DE DEUS

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Há muitos anos, ouço falar de João de Deus, e, desde pequena, me interesso por assuntos espirituais — já li todos os livros de Kardec e Chico Xavier; na minha adolescência, ensaiei jogar tarô e aprender astrologia, ou seja, minha curiosidade sobre o oculto sempre foi imensa. Porém, quando saí da faculdade e me vi na necessidade de encarar o mercado de trabalho, a vida se tornou extremamente material, afinal, é este o momento em que as escolhas trazem o peso de uma vida insana de trabalho, o tempo se torna curto e acabamos por esquecer a importância de uma vida de fé e caridade.

Na época de nosso casamento, meu marido já era extremamente cético; apesar de ter uma família católica fervorosa, ele não seguiu o exemplo. Mas eu nunca me esqueci, pois, em minha consciência, sempre senti que deveria retornar à espiritualidade. Passei anos na luta sem pensar, apenas duas vezes ao ano ia até Mauro, o meu guru, que me trouxe muito do que eu entendo hoje sobre o oculto. Então, há alguns anos, devido a problemas familiares, voltei a  meditar, fazer ioga, e retornei ao balé (que, para mim, é quase um ritual: movimentar o corpo e sentir a respiração é, sim, recolocar a alma em seu lugar).

Até que, em uma noite de quinta feira de dezembro, por uma coincidência do destino, tive a oportunidade de fazer esta viagem: finalmente, a oportunidade certa de ir à casa de João de Deus. Um amigo em comum iria para lá e fui motivada por isso. Nunca me senti tão feliz na vida, nem uma semana de moda — nos tempos em que as semanas ainda eram mais exclusivas e muito se alardeava em torno delas — me deixou tão excitada com a perspectiva de estar presente. Então, numa quarta-feira às 7h30 da manhã, peguei um avião da Gol rumo a Goiânia.

Chegando lá, fui recepcionada pela Edna, a “jornalista” do João de Deus, como assim ele chama. Edna, na realidade, é a PR do João — talvez vocês achem esse fato estranho, e eu própria achei a princípio, mas o trabalho da Edna é extremamente necessário, afinal jornalistas e canais de tevê vão, constantemente, até João fazer matérias e tirar a prova de seu poder espiritual. Por exemplo, em certa ocasião, a Oprah enviou toda uma equipe para morar, durante um mês, em Abadiânia, e, assim, testar os poderes do médium; Marina Abramovic também compareceu à cidadezinha e parte de seu documentário foi rodado lá — “Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil” (direção do brasileiro Marco Del Fiol). Em suma, são milhares de curiosos a chegar, o tempo todo, à Abadiânia, sedentos pelos dons de João.

Quanto à Edna, é uma mulher linda. Foi modelo, tem olhos verdes e intensos, e chegou há seis anos, motivada por problemas de saúde. Ele salvou sua vida, como salvou a de quase todas as pessoas voluntárias da casa. Assim, minha experiência começou de uma forma maravilhosa, pois Edna é uma criatura espetacular, que logo se tornou amiga.

Deixei minha mala no hotel — um lugar bem simples, com aparência de hospital, mas muito aconchegante, com lanchinho da tarde repleto de todos os quitutes de uma cidade de interior, e fui direto para a casa marcar presença na sessão das 14 horas.

São duas sessões: uma às 8 da manhã e outra às 14 horas, e ele só atende nas quartas, quintas e sextas. Nos demais dias, João trabalha em seus negócios, já que não cobra absolutamente nada pelos serviços, e sim faz caridade.

Antes de entrar na sala da corrente, onde fica o médium João de Deus, esperei por cerca de duas horas no auditório externo, onde assisti a palestras de colaboradores (todos trabalham de graça). Quando chamaram a fila da primeira vez — todas as filas são impecavelmente organizadas; há a fila da primeira, da segunda vez; a fila da cirurgia espiritual; a fila da revisão… —, adentrei a sala da corrente: nela, mais de mil pessoas sentadas, rezando, meditando, enviando energia positiva para aqueles que necessitam, pois João mesmo diz que não realiza o trabalho sozinho, e, além das entidades que incorpora, precisa de todo o apoio dos visitantes.

‎Ao olhar João, a poucos metros de distância e muito perto de falar com “ele” — com a entidade que incorporava no momento —, senti uma súbita onda de emoção e não pude conter o choro. O ambiente, com todas aquelas pessoas de olhos cerrados, doando suas energias, me emocionou de tal forma que, quando cheguei à sua frente, não consegui falar nada, apenas me ajoelhei e aguardei algum sinal.

Ele me perguntou: “você estará aqui amanhã?”. Com a voz embaraçada, eu disse: “sim!”, e ele, então, respondeu simplesmente: “volte amanhã, querida!”. Segui seu comando e, no dia seguinte, compareci às 8h da manhã, na fila das 8 da manhã (conforme me explicou um voluntário).

Logo soube, por uma das colaboradoras, que aquela era a fila da cirurgia espiritual, e fiquei apavorada. Mal havia conhecido seus dons, e já tinha um passaporte para cirurgia! Estava tensa, afinal, além de ser confrontada com o desconhecido, ainda teria de passar quarenta dias sem beber alcoólicos (e tão perto da virada do ano!) e o mesmo tempo sem sexo.

No entanto, não hesitei nem por um momento, e fui, fui com todo o coração. A sala da cirurgia espiritual fica próxima à da corrente. Em si, a cirurgia durou pouquíssimo tempo: se me lembro bem, apenas uns quinze minutos. Ali, os colaboradores explicam que as entidades — que perfazem mais de trinta — podem realizar, em cada pessoa, até nove cirurgias ao mesmo tempo. Achei maravilhoso e fiquei imaginando que seria operada. E, de certa forma, “fui”.

Em seguida, me dirigi à palestra dada após a cirurgia, na qual descobri que teria de ficar no hotel, em repouso, por 24 horas. Fiquei arrasada! Não queria passar horas no hotel e deixar de experimentar tudo o que poderia, mas obedeci e aproveitei para passar na lojinha e comprar uns livros para ler.

Umas duas horas depois, já de volta ao hotel, deitada na cama com a última biografia do João em mãos, chega Edna e me diz que o João havia pedido que eu voltasse, que eu havia entrado na fila errada, e que minha “cirurgia” seria invalidada. Ele me mandou ir para a cachoeira, e, depois, para a corrente. Feliz da vida, fui para a cachoeira! (Ela fica a alguns quilômetros da casa, porém no mesmo terreno; é pequena, mas muito especial, considerada sagrada pela imensa energia que emana.)

Para ir à cachoeira, é necessário ter a permissão da entidade. Além disso, há regras bem definidas a se seguir: mulheres entram separadas dos homens; é proibido usar biquíni, pois eles, em geral, têm amarrações. Por essa razão, normalmente, todos entram apenas com as partes de baixo das roupas de banho.

Na cachoeira, conheci uma senhora que me contou que foi curada, por João de Deus, de um câncer terminal, e que, depois disso, foi morar em Abadiânia, o maior portal espiritual do mundo. A propósito, lendo a biografia do João, descobri que foi Chico Xavier quem o orientou a se instalar por lá.

Mais tarde, na minha volta ao Rio, conversando com meu primo Helcius Pitanguy, descobri que Chico Xavier havia sido caseiro na casa do meu avô. Fiquei chocada, feliz e maravilhada.

Depois da cachoeira, fui me deliciar com a famosa sopa que ele serve aos visitantes. Edna me contou que a sopa tem poderes curativos: é uma receita das entidades, realmente deliciosa! Para os que não querem tomar a sopa, a cidade tem vários restaurantes ótimos, que servem comida simples, mas muito gostosa.

***

Nesse mesmo dia, às 14 horas, fui para a corrente. Edna me colocou num trono ao lado de João de Deus. Esses lugares são reservados para os médiuns e amigos da casa. Eu me senti extraordinariamente privilegiada. Como poderia estar lá, se mal chegara?

O ritual para a entrada de João empossado pela entidade é muito importante e significativo: todos devem estar concentrados, de olhos fechados. De todos, este foi um dos momentos mais emocionantes. As músicas são lindas, e você vê toda aquela gente esperançosa — gente chorando, gente rezando, algumas pessoas em transe… E observem: tudo isso acontece de forma muito calma, plácida, organizada, muito “espiritual”, e, ao contrário do que se pode pensar, nesses instantes não existe tristeza, apenas beleza.

As sensações que tive na corrente são complexas, misteriosas e inexplicáveis — prefiro pular essa parte, ou acharão que enlouqueci ou exagero… Fica-se na corrente por umas quatro ou cinco horas, de olhos fechados (só temos permissão para abri-los quando ele faz uma cirurgia física). Num dado momento, sufocada de emoção, tive uma compulsão de choro e resolvi me retirar.

Enquanto estamos sentados na corrente, as pessoas vão entrando em filas para conversar com a entidade, uma a uma. Minha curiosidade era tanta que, por vezes, eu abria os olhos e via um pouco do que acontecia, mas logo chamavam a minha atenção.

De volta ao auditório, a Edna veio até mim para saber por que eu havia sumido, e expliquei a ela o que acontecera. Nesse instante preciso, João passou na nossa frente, e Edna relatou tudo a ele.

Imediatamente, João me pegou pela mão e levou à sua sala. É uma espécie de sala íntima, na qual ele recebe as pessoas e a entidade antes das sessões — um lugar bonito e simples, como tudo o mais por lá.

Ele fez uma reza comigo, o que me deixou muito tranquila; depois, se sentou em seu sofá e começou a me contar coisas da época em que era alfaiate. Entremeando a conversa em vários momentos, vinha a entidade e dizia coisas para mim. Ora João, ora a entidade tinham a palavra… Um fenômeno curioso e interessante.

Passei o terceiro dia inteiro na corrente. Foram nove horas de olhos cerrados, com um intervalo na hora do almoço, para comer e dar um mergulho na cachoeira.

No sábado, antes de voltar ao Rio, fui ver de perto a festa de Natal que ele faz na Casa da Sopa, um espaço do outro lado da cidade onde ele dá alimento para a população carente. Claro que ele estava lá com a filhinha de três anos, que dançava e comia pipoca. Coisa de Deus, de João de Deus!

***

Em síntese, esta foi uma das experiências mais fantásticas da minha vida, uma afirmação da minha fé e da minha certeza de que temos que viver no amor e na caridade.

Se eu voltarei? Voltarei sempre, e, escrevendo este texto, já sinto saudades de lá.

07/11

PARIS, PRIMAVERA 17: STYLE.ME

Paris Fashion Week

Créditos: look todo Fendi

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03/11

PARIS, PRIMAVERA 17: LOOK 3

Paris Fashion Week

Créditos: Mixed Brasil

Fotos: @piermodelsjam

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24/10

PARIS, PRIMAVERA 17: LOOK 2

Créditos: tudo Armani

Fotos: @piermodelsjam

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